Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

CARREATA

Ilustração — CARREATA

No poema “Carreata”, a cena política cotidiana transforma-se em reflexão sobre o distanciamento entre promessas e realidade. Entre ruas, bares, janelas e favelas, o povo passa e observa — às vezes atento, às vezes indiferente — o espetáculo eleitoral que invade o cotidiano. O candidato acena, a câmera registra, mas a emoção rareia e o interesse se dissolve após o fim das eleições. Com ironia sutil e olhar crítico, o poema revela a efemeridade das campanhas e a silenciosa descrença que percorre as ruas, lembrando que a verdadeira participação popular vai além do instante passageiro da propaganda.

No ritmo da carreata
o povo passa sofrido
andando de janelas
deslizando em ruas
dirigindo bares
navegando favelas
e acena ou não
para o espectador candidato
que, ao vê-lo passar, sem emoções,
num programa eleitoral ao vivo,
desliga a televisão
após as eleições.

Declamação

Vídeo

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