CELESTINO

No poema “Celestino”, a memória transforma-se em reverência musical. O poeta presta homenagem à voz imortal de Vicente Celestino, evocando palcos, discos e personagens que marcaram gerações. Entre ópera e canção popular, entre o drama de “Tosca” e a emoção de “O Ébrio”, ressurge a potência de um artista que transcendeu o tempo. A imagem da gôndola veneziana simboliza a travessia final rumo ao Cósmico, onde a voz não se cala, apenas ecoa em eternas serenatas. É um tributo sensível à arte que vence o silêncio e permanece viva na memória coletiva.
Agosto calou no Normandie uma canção de Santa Teresa. A voz calabresa de tenor, ator, intérprete, compositor; que com Tosca fez das vaias cafajestes explosão de aplausos na romanza “E lucevan le stelle”; silenciou vencida pelo coração. Imortalizou Cândido das Neves, o Índio, em vinis da Odeon. “Flor do mal”, “Patativa”, “Matei” no som de inflexão operística. “Ouvindo-te”, “O ébrio”, “Coração materno”, o eterno cantado em “Porta aberta”. Voando e pousando nos palcos do Recreio como o pombo de “Casa Branca da Serra” A Voz encantou sua terra. Ao lado de Gilda de Abreu fez-se quase divino e, em gôndola veneziana, bandolim e melodia dolente, navegou para o Cósmico para fazer eterna “Serenata” Vicente, o nosso Celestino.
Declamação
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