Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

CELESTINO

Ilustração — CELESTINO

No poema “Celestino”, a memória transforma-se em reverência musical. O poeta presta homenagem à voz imortal de Vicente Celestino, evocando palcos, discos e personagens que marcaram gerações. Entre ópera e canção popular, entre o drama de “Tosca” e a emoção de “O Ébrio”, ressurge a potência de um artista que transcendeu o tempo. A imagem da gôndola veneziana simboliza a travessia final rumo ao Cósmico, onde a voz não se cala, apenas ecoa em eternas serenatas. É um tributo sensível à arte que vence o silêncio e permanece viva na memória coletiva.

Agosto calou no Normandie
uma canção de Santa Teresa.
A voz calabresa de tenor,
ator, intérprete, compositor;
que com Tosca
fez das vaias cafajestes
explosão de aplausos
na romanza “E lucevan le stelle”;
silenciou
vencida pelo coração.
Imortalizou Cândido das Neves,
o Índio, em vinis da Odeon.
“Flor do mal”, “Patativa”, “Matei”
no som de inflexão operística.
“Ouvindo-te”, “O ébrio”, “Coração materno”,
o eterno cantado em “Porta aberta”.
Voando e pousando nos palcos do Recreio
como o pombo
de “Casa Branca da Serra”
A Voz encantou sua terra.
Ao lado de Gilda de Abreu
fez-se quase divino
e, em gôndola veneziana,
bandolim e melodia dolente,
navegou para o Cósmico
para fazer eterna “Serenata”
Vicente, o nosso Celestino.

Declamação

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