INVISÍVEL

No poema INVISÍVEL, estabeleço um paralelo pungente entre o Calvário e o cotidiano. De um lado, o Cristo entre dois ladrões; de outro, o pai entre dois filhos. Amor que se doa. Amor que sofre. Amor que insiste. Em ambas as cruzes — a sagrada e a humana — há entrega, há dor, há escolha. Mas o mundo observa e não vê. A tragédia do amor que se sacrifica torna-se banal, quase cômica, porque não é espetáculo coletivo, é drama íntimo. O que não atinge a maioria torna-se invisível. Este poema é um convite a enxergar o que passa despercebido: os pequenos calvários diários, as cruzes silenciosas, os gestos heroicos que sustentam vidas — e que, ainda assim, quase ninguém nota.
O Cristo com dois ladrões no Calvário. Um bom. Um mau. O pai com dois filhos na escola. Um bem. Um mal. Ambos, pai e Cristo, na cruz. Um dando a vida por amor ao primeiro. Outro dando amor pela vida do segundo. E o mundo todo observando, insensível, cruel e acomodado, simplesmente ignorando o fato, esse ato de tragédia, que, por não ser de muitos, é invisível, quase comédia.
Declamação
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