Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

INVISÍVEL

Ilustração — INVISÍVEL

No poema INVISÍVEL, estabeleço um paralelo pungente entre o Calvário e o cotidiano. De um lado, o Cristo entre dois ladrões; de outro, o pai entre dois filhos. Amor que se doa. Amor que sofre. Amor que insiste. Em ambas as cruzes — a sagrada e a humana — há entrega, há dor, há escolha. Mas o mundo observa e não vê. A tragédia do amor que se sacrifica torna-se banal, quase cômica, porque não é espetáculo coletivo, é drama íntimo. O que não atinge a maioria torna-se invisível. Este poema é um convite a enxergar o que passa despercebido: os pequenos calvários diários, as cruzes silenciosas, os gestos heroicos que sustentam vidas — e que, ainda assim, quase ninguém nota.

O Cristo com dois ladrões no Calvário.
Um bom.
Um mau.
O pai com dois filhos na escola.
Um bem.
Um mal.
Ambos, pai e Cristo, na cruz.
Um dando a vida por amor ao primeiro.
Outro dando amor pela vida do segundo.
E o mundo todo observando,
insensível,
cruel e acomodado,
simplesmente ignorando o fato,
esse ato de tragédia,
que, por não ser de muitos,
é invisível,
quase comédia.

Declamação

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