ITAPEVA

No poema ITAPEVA, transformo a paisagem em revelação. Do alto, onde as nuvens nascem do abismo como labaredas de vapor, o céu deixa de ser distância e torna-se chão. A natureza se humaniza: sua mão pode ser tocada, seu hálito sentido na brisa que beija torres e montanhas. Entre o Vale do Paraíba e a represa que reflete o infinito, o olhar encontra algo que ultrapassa a geografia — encontra o sagrado. Itapeva chora, não de tristeza, mas de êxtase. E, nesse raro instante de beleza absoluta, a criação espelha o Criador.
As nuvens elevam-se do abismo em labaredas de vapor d’água invadindo a linha do horizonte, queimando Vale do Paraíba. O céu faz-se chão, e a mão da natureza pode ser tocada, sentida e apertada, em Cósmica harmonização, com seu hálito pressentido na brisa que beija torres das redes de televisão. E a visão eterna e secular arranca lágrimas do Itapeva que chora de emoção e êxtase inchando o ventre da represa que, em raro momento de beleza, reflete e concretiza Deus.
Declamação
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