Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

ITAPEVA

Ilustração — ITAPEVA

No poema ITAPEVA, transformo a paisagem em revelação. Do alto, onde as nuvens nascem do abismo como labaredas de vapor, o céu deixa de ser distância e torna-se chão. A natureza se humaniza: sua mão pode ser tocada, seu hálito sentido na brisa que beija torres e montanhas. Entre o Vale do Paraíba e a represa que reflete o infinito, o olhar encontra algo que ultrapassa a geografia — encontra o sagrado. Itapeva chora, não de tristeza, mas de êxtase. E, nesse raro instante de beleza absoluta, a criação espelha o Criador.

As nuvens elevam-se do abismo
em labaredas de vapor d’água
invadindo a linha do horizonte,
queimando Vale do Paraíba.
O céu faz-se chão,
e a mão da natureza
pode ser tocada,
sentida e apertada,
em Cósmica harmonização,
com seu hálito pressentido
na brisa que beija torres
das redes de televisão.
E a visão eterna e secular
arranca lágrimas do Itapeva
que chora de emoção e êxtase
inchando o ventre da represa
que, em raro momento de beleza,
reflete e concretiza Deus.

Declamação

Vídeo

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