Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

NADA MAIS

Ilustração — NADA MAIS

No poema NADA MAIS, duas cenas se espelham: a criança que chora a ausência da mãe no pátio da escola e a mulher que chora a ausência do filho diante do túmulo. Dois vazios. Duas dores. A mesma essência. O que parece definitivo revela-se transitório. O que parece mistério transforma-se em questão de perspectiva. Entre o instante e a eternidade, entre o prisma e a mística, tudo se resume ao tempo — esse escultor silencioso das ausências. NADA MAIS é um convite à reflexão sobre perda, relatividade e transcendência. Porque talvez a dor seja apenas um intervalo. E nada mais.

A criança,
no pátio da escola,
chora ausência materna.
Nada a consola.
A mulher
no túmulo do cemitério
chora ausência filial.
Nada a consola.
Duas perdas momentâneas
e nada mais.
Não há mais mistério.
Só uma questão de prisma.
Só uma questão de mística.
Só uma questão de tempo.
E nada mais.

Declamação

Vídeo

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