Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

NAU

Ilustração — NAU

No poema NAU, a paisagem da Ribeira transforma-se em travessia espiritual. A Igreja do Bonfim deixa de ser apenas arquitetura e torna-se embarcação sagrada — uma nau de almas que navega entre o céu e o mar, entre o visível e o invisível. Sob palmeiras que adornam torres e nuvens que anunciam mistério, o sincretismo baiano pulsa: o Rei dos Reis sob o sol de Oxalá, o rumo apontado para Itaparica, repouso de Iemanjá. Entre águas e Altas Esferas, Arcanjos sopram ventos que apenas os iniciados percebem. NAU é viagem de fé, de cultura e de transcendência — um convite a embarcar no mar simbólico onde amor e paz são o verdadeiro destino.

Navegando braço de terra
que adentra mar da Ribeira
a Igreja do Bonfim
enfeita-se de palmeiras.
Coqueiros ornando torres,
céu nublado em primavera,
é nau de almas que segue,
vibrando com Altas Esferas.
No comando o Rei dos Reis
iluminado ao sol de Oxalá,
rumando para Itaparica,
repouso de Iemanjá.
E os Arcanjos, asas ao vento,
invisíveis aos olhos mortais,
mostram-se aos iniciados:
marinheiros de amor e paz.

Declamação

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