Antonio Carlos TórtoroACTORTOROO universo poético de Antonio Carlos Tórtoro

Mosaico

Poema

RIMAS

Ilustração — RIMAS

No poema RIMAS, o tempo é o grande poeta — ainda que, por muitos anos, pareça escrever versos sem métrica, sem harmonia, sem rima. Dez, vinte, trinta… os números se acumulam e a juventude se distancia. As rugas surgem, as dores chegam, amigos partem. Nada rima — e, no entanto, tudo ensina. Entre perdas e desencantos, a vida parece quebrar o ritmo. Mas, quando os anos avançam, algo surpreendente acontece: a própria existência encontra sua cadência. Cinquenta, sessenta, setenta, oitenta… agora rima. RIMAS é a compreensão de que envelhecer não é perder a poesia — é descobrir que o verso maior da vida só se completa com o tempo. É a rima tardia do eterno adolescer da alma.

Dez.
Vinte.
Trinta.
Quarenta anos.
Não rima mas espanta,
desencanta o ritmo do tempo
que faz envelhecer.
Primeiras rugas.
Novas dores.
Vistas turvas.
Desencanto.
Não rima mas assusta,
a busca da juventude perdida
que só faz esconder-se.
Morte de amigos.
Doenças repentinas.
Falta de esperança.
Desilusão.
Não rima mas dói,
destrói o amor à vida
e aos poucos faz morrer.
Cinquenta.
Sessenta.
Setenta.
Oitenta anos.
Rimar agora rimou,
pois esta é a sina
dos versos sem rima
do adolescer.

Declamação

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