RIMAS

No poema RIMAS, o tempo é o grande poeta — ainda que, por muitos anos, pareça escrever versos sem métrica, sem harmonia, sem rima. Dez, vinte, trinta… os números se acumulam e a juventude se distancia. As rugas surgem, as dores chegam, amigos partem. Nada rima — e, no entanto, tudo ensina. Entre perdas e desencantos, a vida parece quebrar o ritmo. Mas, quando os anos avançam, algo surpreendente acontece: a própria existência encontra sua cadência. Cinquenta, sessenta, setenta, oitenta… agora rima. RIMAS é a compreensão de que envelhecer não é perder a poesia — é descobrir que o verso maior da vida só se completa com o tempo. É a rima tardia do eterno adolescer da alma.
Dez. Vinte. Trinta. Quarenta anos. Não rima mas espanta, desencanta o ritmo do tempo que faz envelhecer. Primeiras rugas. Novas dores. Vistas turvas. Desencanto. Não rima mas assusta, a busca da juventude perdida que só faz esconder-se. Morte de amigos. Doenças repentinas. Falta de esperança. Desilusão. Não rima mas dói, destrói o amor à vida e aos poucos faz morrer. Cinquenta. Sessenta. Setenta. Oitenta anos. Rimar agora rimou, pois esta é a sina dos versos sem rima do adolescer.
Declamação
Vídeo