TALIÃO

No poema TALIÃO, a dor coletiva ecoa como um tribunal invisível. Vozes silenciadas — vítimas esquecidas, corpos sem túmulo, vidas interrompidas — clamam por justiça. O poema percorre o luto social, a revolta contida e o peso da impunidade que atravessa gerações. Entre o grito das vítimas e a resposta dos homens, surge a antiga lei: olho por olho. Mas será justiça ou reflexo da própria violência? O texto não oferece conforto — oferece confronto. TALIÃO é um espelho incômodo da sociedade. Questiona até que ponto a justiça humana é reparação ou repetição. É poesia que fere para fazer pensar.
Choram até hoje os assaltados, as estupradas, os agredidos, as viúvas, os órfãos, as esquecidas, os ofendidos, as golpeadas. Clamam os falecidos, os corpos escondidos, esquartejados, abandonados, fuzilados, apodrecidos, sem um túmulo sequer. Pedem vingança os abortados, os mutilados, as açoitadas, as mães solteiras, ameaçados, embrutecidos, os aviltados. E diante de tanto pedir, de tanto clamar em vão, de tanto chorar esta sina, o pavilhão número nove sucumbiu enfim e fez-se através dos homens a justiça do talião.
Declamação
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