Poemas
- 01
ÁGUA-VIVA
ÁGUA-VIVA nasceu de um instante real e delicado: o momento em que segurei uma água-viva nas mãos. Ali, entre o fascínio e o medo, percebi que eu tinha o poder de deixá-la continuar viva… ou não. O poema reflete esse limite invisível entre cuidado e destruição, entre o toque humano e a fragilidade da vida. Um encontro breve, mas profundo, com a responsabilidade que carregamos ao tocar o que é vivo.
- 02
AGORA
AGORA nasceu de um estranhamento silencioso. Ao ver uma lua linda, plena, em meio à luz do dia, pensei: aquela não era a hora dela estar ali. O poema surge desse deslocamento — quando algo belo aparece fora do tempo esperado e nos obriga a repensar o agora, o ritmo da vida e a ordem das coisas.
- 03
AMORES
AMORES é um poema que nasce da escuta atenta do coração. Nele, falo do amor que se constrói com presença, respeito, cuidado, entrega e verdade. Um amor que não se improvisa, mas se cultiva — com gestos simples, tempo, silêncio e reciprocidade. Mais do que um sentimento, AMORES é um convite a reconhecer quais são os ingredientes que tornam um amor pleno, possível e verdadeiro.
- 04
ARQUITETURA
ARQUITETURA é um poema que observa o mundo como uma grande construção viva. Casas de homens, ninhos de pássaros, colmeias, casulos, conchas, invólucros visíveis e invisíveis. Em cada forma de morar, há inteligência, ordem e sentido. Ao percorrer essas arquiteturas da vida, descubro que o Grande Arquiteto do Universo não habita apenas o alto ou o distante — Ele mora em tudo, em todos e em cada detalhe da criação.
- 05
ATAÚDE DE NATAL
ATAÚDE DE NATAL nasceu no Dia de Reis, no instante silencioso em que a árvore é desmontada. Entre bolas, luzes e lembranças, surgiu um sentimento duplo: a tristeza de guardar o que brilhou e a alegria serena de saber que tudo renascerá no próximo ano. Este poema é esse intervalo — um Natal que não acaba, apenas repousa.
- 06
PETISCO
Neste poema, PETISCO, eu convido você a olhar para um instante simples: alguém num bar, saboreando um pequeno petisco. Um gesto corriqueiro, quase invisível… mas absolutamente único no Universo. Porque aquele petisco, naquele bar, daquela forma, nunca mais se repetirá. Assim como certos momentos da vida — e até certas vidas — que passam discretas, sem alarde, mas carregadas de sentido. PETISCO é sobre perceber o extraordinário escondido no banal… antes que ele passe.
- 07
BUSCANDO
BUSCANDO é um poema sobre a inquietação humana. Falamos das tentativas de compreender os mistérios da vida e da morte, de decifrar os desígnios de Deus, mas quase sempre insistimos apenas na razão. Este poema convida a outro caminho: o de acender a luz interior — uma luz tão intensa que, quando desperta, é capaz até de apagar as estrelas.
- 08
CLIC CLAC
CLIC CLAC é o som seco da máquina fotográfica que dispara — e, no mesmo gesto, captura a vida no instante em que ela já começa a passar. Entre um clic e um clac, a cidade respira, sofre, ama e morre. O poema reflete sobre esse intervalo mínimo onde tudo acontece: a vida real, pulsante e transitória, transforma-se em imagem, notícia, memória. No papel do jornal, aquilo que foi cruelmente efêmero ganha permanência. A vida se vai — a imagem fica.
- 09
COMPANHEIRO
COMPANHEIRO é um poema sobre presença e ausência. Sobre um homem que passou alguns dias ao lado do mar — ouvindo suas ondas, respirando seu sal, caminhando em silêncio. Mas chega o momento da partida. O carro segue estrada adentro, o litoral fica para trás… E o mar, que parecia tão íntimo, não o acompanha na viagem de volta. Fica apenas a lembrança — como uma concha guardada no bolso — e a certeza de que algumas companhias são eternas apenas enquanto estamos diante delas.
- 10
EMAÚS
EMAÚS é um poema sobre o silêncio que fica quando o ensinamento não é acolhido. Na fração do pão, gesto simples e cotidiano, Jesus revelou tudo o que precisava ser dito: partilha, presença, amor. Mas o mundo seguiu adiante, distraído, sem perceber que o sagrado se escondia no gesto mais comum. Este poema reflete sobre essa perda — sobre como aquilo que deveria transformar o dia a dia acabou esquecido, como se todo ensinamento tivesse sido em vão.
- 11
ENCENAÇÃO
ENCENAÇÃO é um poema sobre o teatro sombrio das aparências. Nele, pessoas vestem máscaras infernais — precisas, sedutoras, perfeitas para enganar — e transformam a mentira em espetáculo. Trata-se de uma encenação cósmica e trágica, onde iludir o outro vira regra e a verdade é sacrificada num jogo anticristão de disfarces e falsidades. Este poema não aponta rostos: revela máscaras. E convida o espectador a perceber que, muitas vezes, o maior palco do engano é o próprio mundo.
- 12
ENCONTRADO
ENCONTRADO é um poema urbano, denso e dolorosamente atual. Ele retrata alguém que caminha só por uma rua qualquer, carregando dentro de si uma busca silenciosa — talvez por sentido, talvez por esperança, talvez apenas por um pouco de luz. Mas, no meio dessa travessia solitária, a vida é interrompida por uma bala perdida. E o que era busca transforma-se em encontro trágico: não encontrou o que procurava — foi encontrado pela violência.
- 13
ESPADA
ESPADA FLAMEJANTE é um poema de alvorecer. Um único raio de sol rasga o mar e a areia do Guarujá como uma lâmina de fogo, inaugurando o dia e anunciando o verão. A luz reflete nas ondas, corta a praia molhada e transforma o amanhecer em rito: a natureza se abre, o tempo muda, o calor nasce. É o instante em que o sol finca sua espada luminosa no litoral e declara, com silêncio e brilho, que o verão começou.
- 14
ESPONSAIS
ESPONSAIS é um poema sobre o instante sagrado da criação. Uma abelha pousa na flor de maracujá e, nesse gesto simples e silencioso, revela-se a mão de Deus agindo no mundo. O toque da vida fecunda a flor, o invisível se torna fruto, e o maracujá nasce como celebração do encontro entre natureza e divindade. Um poema onde o amor cria, une e transforma — como verdadeiros esponsais entre o céu e a terra.
- 15
FÉRETRO
FÉRETRO é um poema que transforma uma cena cotidiana da praia em rito e metáfora. O barco que retorna da pescaria, abarrotado de peixes mortos, torna-se um féretro que encalha na areia diante do olhar das pessoas. Gaivotas sobrevoam como sentinelas do fim, enquanto a vida humana observa, negocia, consome. Entre o mar, o sangue e o silêncio, o poema convida o espectador a enxergar a morte não como espetáculo, mas como espelho.
- 16
FOGO
FOGO é um convite à coragem interior. Nele, tudo o que pesa, fere ou aprisiona é lançado às chamas — medos, dúvidas, sombras. O fogo não destrói: transforma. Ao virar cinza o que nos limita, ele nos devolve a leveza do sonho, a claridade da consciência e o impulso de atravessar o céu. É pela combustão do que nos incomoda que nos tornamos luz, livres para seguir em direção ao Cósmico e simplesmente SER.
- 17
FORMA DE AMAR
FORMA DE AMAR é um poema sobre o afeto que se manifesta em gestos simples. Na areia quente da praia, uma jovem vendedora caminha leve, sorridente, oferecendo saídas de praia de quiosque em quiosque. Não é apenas comércio: é presença, é alegria repartida, é dignidade em movimento. Cada peça vendida carrega mais do que tecido — leva cuidado, esperança e um jeito bonito de existir. Vender, para ela, é amar.
- 18
FORMAS
FORMAS é um poema que contempla a escrita secreta do mar. A cada passagem de onda, a areia recebe traços, curvas e desenhos que se formam e se desfazem num ciclo eterno. O poeta enxerga nesses vestígios efêmeros os versos de Anchieta, temperados com sal e espuma — poemas épicos escritos pela mão invisível da natureza. Como Deus poeta, o mar escreve na areia sua forma divina de amar: discreta, breve, mas infinita em beleza.
- 19
KOKURA
KOKURA é um poema inspirado em um fato histórico real da Segunda Guerra Mundial. No dia 9 de agosto de 1945, a cidade japonesa de Kokura seria o alvo da segunda bomba atômica. Porém, pesadas nuvens encobriam o céu, impedindo a visualização do alvo. O avião seguiu então para outro destino: Nagasaki. O poema transforma esse acontecimento em metáfora existencial: as nuvens escuras que tanto nos incomodam podem, na verdade, estar nos protegendo de tragédias invisíveis.
- 20
LOUVOR
LOUVOR é um poema de intimidade e presença. Ele nasce da certeza de que Deus não habita apenas templos, mas caminha conosco — onde estamos, como estamos. Cada verso é oração. Cada palavra é cântico. Cada silêncio é escuta divina. 'Louvado seja o Senhor, que sempre está onde estou, ouvindo meu louvor, em forma de poesia' revela que a poesia pode ser altar, que o poema pode ser incenso, e que o coração do poeta é também lugar sagrado.
- 21
MAIS UM
MAIS UM é um poema que olha o Natal depois que as luzes se apagam. Quando a festa termina, restam na mesa os vestígios da celebração — e no coração, um silêncio inquieto. O gosto doce prometido transforma-se em vazio, em reflexão, em perguntas. Entre meias penduradas e migalhas de alegria, o poema revela a fragilidade das fantasias coletivas e a solidão que pode surgir após o brilho das comemorações.
- 22
MARIANA
MARIANA é um poema que nasce do encontro harmônico entre duas forças: MAR e ANA. Do mar profundo e infinito, vem a imensidão; de Ana, a ternura e a presença materna. Unidos, formam MARIANA — nome que soa como onda, como prece, como canto. No poema, evoco Ana, mãe de Nossa Senhora, símbolo de fé e origem sagrada; recordo Iemanjá, mãe do mar, divindade das águas e da fertilidade; e contemplo as estrelas-do-mar.
- 23
NATAL CÓSMICO
NATAL CÓSMICO é um poema de renascimento e transcendência. Nele, a noite é mordida como fruto sagrado, estrelas escorrem como seiva do universo e o poeta bebe o leite das constelações para celebrar um novo dia. Entre cometas, névoas e sinos celestes, nasce um Natal que não pertence ao calendário, mas ao espírito: um Natal interior, cósmico, eterno.
- 24
OBJETO
OBJETO é um poema sobre o paradoxo de doar. Ao entregar um objeto pessoal, entregamos um pedaço de nós mesmos — é uma pequena morte, uma despedida silenciosa. Mas nesse gesto de desapego mora também o renascimento: quem doa se liberta do passado, abre espaço para o novo e renasce a cada passo. Doar é morrer e renascer ao mesmo tempo.
- 25
ÓRFÃO
ÓRFÃO é um poema sobre o desconhecimento que nos habita. Não saber o ato, a trama, o tema — desconhecer o próprio contexto do mundo em que existimos. É a orfandade existencial de quem caminha sem roteiro, sem palco, sem iluminação. Mas no fundo dessa escuridão, pulsa um desejo imenso: o desejo de pertencer, de encontrar a história inteira.
- 26
PAINEIRA
PAINEIRA é um poema que acompanha as estações da vida através de uma árvore. No outono, ela chora pétalas com medo do inverno que se aproxima. No inverno, despida e branca, cobre-se de algodão e aguarda. Na primavera, renasce verde e viçosa, celebrando a vida numa missa de ação de graças. No verão, cala — e nesse silêncio, transporta o poeta no tempo e se torna companhia silenciosa de sua solidão.
- 27
PASSAGEM NO MAR
PASSAGEM NO MAR é um poema de encontro entre o céu, o mar e a fé. No alto, estrelas e um Deus que ama. No mar, espumas e Iemanjá que escuta. Na praia, velas acesas e um poeta que exulta, renascido em Cristo. Entre Natal e Ano Novo, no cenário do Guarujá, três dimensões se cruzam numa passagem onde tudo é sagrado, tudo renasce, tudo se conecta pela luz das velas e pelo brilho das estrelas.
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PAVIO
PAVIO é um poema sobre a chama interior que nos consome e nos ilumina. O poeta se reconhece como o pavio de sua própria vela — aquele que se deixa queimar nas paixões, que perde a consciência do espaço enquanto arde em azul, que transforma matéria em luz. É a imagem de uma vida que se consome com propósito: em constante desafio entre o material e o espiritual, entre ser consumido e irradiar.
- 29
PEGADAS NA AREIA
PEGADAS NA AREIA é um poema sobre as marcas que deixamos e que se apagam. Na areia, as ondas lambem nossos passos e os desfazem. Na vida, o tempo faz o mesmo com nossas memórias. Mas há algo que persiste: a conexão entre dois caminhos, dois pares de pés que se encontram, se seguem, se entrelaçam. O poema celebra as marcas que ficam não na areia, mas no coração de quem caminhou ao nosso lado.
- 30
PENSAMENTO
PENSAMENTO é um poema breve e denso sobre a consciência do agora. O poeta reconhece que vive seu último tempo — não por fatalismo, mas por lucidez. Cada momento é o único momento. Não sabe quando deixará de ser, mas decide: será, a cada instante, tudo o que desejou ser. Mesmo que apenas em pensamento. É um poema sobre a liberdade interior que nenhuma circunstância pode roubar.
- 31
PRIMEIRO MAR
PRIMEIRO MAR é um poema de descoberta e encantamento. É a história de um menino que sonhou a noite inteira com o mar e, pela primeira vez, desceu a serra para encontrá-lo. A praia imensa, a areia quente, as ondas salgadas — tudo que existia apenas na televisão tornou-se real. De calção vermelho e boné azul, agarrado à prancha de isopor, o jovem confundiu ser com sonhar.
- 32
RESSONANTE
RESSONANTE é um poema sobre renascimentos acumulados. De tanto renascer, o poeta já viu mortos cativos em tumbas e vivos mortos de dores. No presente, ressoa o som do passado no silêncio do futuro. No limiar entre ser e não ser, ele escuta risadas e choros misturados — as palhaçadas da vida, que transformam a existência num circo montado no cemitério.
- 33
RETORNO
RETORNO é um poema de saudade oceânica. O mar espera para acolher o poeta em seu colo de paz. Seu coração revolto em ondas anseia pelo mergulho, pela energia vital que entra pelo corpo e pela alma como um cordão umbilical. A Serra do Mar é a cicatriz dessa separação — um dia rompida, mas nunca esquecida. Voltar ao litoral é voltar ao seio materno.
- 34
RIO
RIO é um poema sobre a fluidez do tempo e da existência. Como as águas do rio, o poeta passará, passou e ficará — uma tríade temporal que desafia a lógica. Estou no futuro buscando o passado que virá. Fui para o passado fugindo do futuro que se foi. Ficarei, onipresente, encarando a metáfora de Deus que sou. O rio não é apenas água que corre — é a imagem da alma que transita entre tempos.
- 35
SELOS
SELOS é um poema longo e reflexivo sobre as partidas e permanências da vida. O melhor momento do ir é o momento ainda grávido do voltar. Cada despedida rompe um selo — o da vida e o da morte, simultaneamente. Não somos sacerdotes nazireus: carregamos conosco os cadáveres do que fomos, os outros eus que habitamos, os lugares e amores que deixamos para trás.
- 36
SEMPRE
SEMPRE é um poema sobre a renovação silenciosa do mundo. Não existem manhãs iguais — sempre algo muda. Uma nuvem, um pássaro, uma história, um povo. Algo é novo, belo, bom, semente. Mas o verdadeiro segredo não está nas manhãs que mudam: está em alguém que muda dentro da gente. O poema celebra essa capacidade humana de se reinventar.
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SINAL
SINAL é um poema sobre a fé que pede e a graça que responde. Na dificuldade, sem norte, o poeta pede com ansiedade por um sinal. Vem o vento, vêm as nuvens pesadas do oeste. Mas quando os olhos se voltam para o leste, uma fresta se abre no alto do céu — e por ela, no meio do asfalto, na solidão da cidade, irrompe a festa de um céu azul.
- 38
TATUAGEM
TATUAGEM é um poema sobre liberdade e expressão. A marca no braço é, ao mesmo tempo, desabraço às normas e abraço à liberdade. É espaço para sonhos, desejos e imaginações. Está a um passo dos desafios e das incompreensões. O poema não julga nem celebra — observa. Reconhece na tatuagem o gesto humano de inscrever no corpo aquilo que a alma deseja comunicar: autenticidade, coragem e a necessidade de ser livre.
- 39
TEMPOVÍRUS
TEMPOVÍRUS é um poema que entrelaça ciência, dor e filosofia. Vírus emergentes, insistentes, combatentes — Marburg, Ebola, HIV, Dengue — saem das florestas e dos animais para dizimar a humanidade. Mas o vírus mais indecente de todos é o próprio tempo: aquele que envelhece a gente, que devasta esperanças, sonhos e ilusões com ódios, desamores e decepções.