Poemas
- 01
EDELWEISS
Apaixonei-me pela flor Edelweiss, e pela história dela, ao ouvir Julie Andrews cantar no filme “A Noviça rebelde”. EDELWEISS é um poema de contemplação, memória e reverência. Inspirado na delicada flor dos Alpes — símbolo de pureza, resistência e liberdade — o texto percorre paisagens internas e espirituais onde a música, o silêncio e os valores essenciais da vida se encontram. Entre ecos místicos e sentimentos profundos, a flor Edelweiss transforma-se em metáfora daquilo que não pode ser tocado pelas mãos, mas apenas sentido pela alma. Este poema é um canto suave de beleza, liberdade e transcendência — um encontro entre a natureza, o espírito e a poesia.
- 02
LEITURA
O poema “LEITURA” nos conduz a uma reflexão profunda sobre o tempo, a escrita e a própria existência. Mais do que comunicar aos outros, o poeta escreve como quem se lê — atravessando passado, presente e futuro em um gesto quase mágico de autoconhecimento. A palavra torna-se, assim, um portal: não apenas para quem lê, mas sobretudo para quem escreve. Em um exercício íntimo e contínuo, o eu poético mergulha em uma dimensão sensível e espiritual — uma verdadeira exploração acásica — onde identidade e memória se entrelaçam.
- 03
MANACÁ
O poema “MANACÁ” nos convida a contemplar a delicadeza e o mistério de uma flor que transcende sua própria natureza. Mais do que um elemento do mundo vegetal, o manacá surge como símbolo espiritual — um verdadeiro “maná da alma”, que alimenta sentidos, memórias e percepções. Ao percorrer seus versos, o leitor é envolvido por imagens sensoriais e simbólicas: o perfume violáceo, a transformação das cores, a presença sutil entre o aqui e o acolá. A flor torna-se ponte entre dimensões — entre o concreto e o imaginário, entre o visível e o invisível. No movimento que vai do roxo — associado à finitude — ao branco — signo da iluminação —, o poema revela uma travessia interior.
- 04
GUERRA
O poema “GUERRA” revela, com sensibilidade e profundidade, o contraste entre o discurso heroico e a dura realidade vivida por aqueles que partem para o combate. Entre colinas, marchas e armas, o poeta nos conduz por um cenário onde o dever se mistura à dor, e a coragem convive com o sofrimento silencioso. Mais do que narrar a guerra, os versos expõem suas consequências humanas: a saudade deixada nos lares, a juventude interrompida e os sonhos que se perdem no caminho. A repetição do chamado à pátria ecoa como um paradoxo — uma ordem que, muitas vezes, ignora o coração de quem luta.
- 05
NOVA ARARA
Este poema foi escrito em homenagem a uma linda arara que existia no antigo Colégio Santa Úrsula – Ribeirão Preto-SP. O poema “NOVA ARARA” nos convida a refletir sobre a essência da liberdade e o desejo profundo de viver em harmonia com a natureza. A figura da arara surge como símbolo de pureza, desprendimento e busca por um mundo mais verdadeiro — longe das amarras, dos julgamentos e das limitações impostas. Em versos simples e delicados, o poema transcende o concreto e nos conduz ao essencial: o voo livre, o calor da vida, o amor e o retorno ao natural. Mais do que falar de uma ave, “NOVA ARARA” fala de nós — de nossa própria vontade de libertação, de pertencimento e de reencontro com aquilo que realmente importa.
- 06
INÉRCIA
O poema “INÉRCIA” é um retrato contundente da violência que atravessa todas as formas de existência — da natureza ao próprio ser humano. Em versos curtos e diretos, a obra revela um mundo onde a vida é interrompida por atos de covardia, traição e indiferença, transformando corpos, peles e almas em matéria inerte. Ao percorrer imagens fortes — do tigre aprisionado ao elefante abatido, do homem que fere a própria vida à humanidade que se torna alvo — o poema nos confronta com uma realidade desconfortável: a perda da sensibilidade diante da vida. Mais do que denunciar, “INÉRCIA” nos convida a refletir sobre nossa responsabilidade nesse cenário e a urgência de romper com essa paralisia que nos distancia do essencial: inclusive de Deus.
- 07
PENSEI
O poema “PENSEI” nos conduz a uma reflexão delicada sobre o sentido de existir diante da imensidão da vida. Diante do oceano — símbolo do infinito, da força e do mistério — o eu poético questiona o valor de sua própria entrega, percebendo a pequenez e, ao mesmo tempo, a profundidade do ser. Entre dúvidas e possibilidades, o poema revela que talvez não seja preciso se dissolver no todo para fazer parte dele. Há uma sabedoria silenciosa na escolha de simplesmente viver — leve, livre e presente — como a gaivota que dança no ar. Mais do que uma renúncia, “PENSEI” é um convite à harmonia: estar no mundo sem se perder nele, sentindo a beleza de existir em sintonia com o infinito.
- 08
GAIVOTA
O poema “GAIVOTA” nos conduz a uma poderosa metáfora sobre luta, resistência e equilíbrio. Diante do vendaval, a ave representa o ser que insiste, mesmo quando a força do mundo parece maior que suas próprias asas. Entre o embate do vento e o aplauso do mar, a natureza se torna palco de um conflito intenso — mas também de harmonia. Há, no desfecho, uma intervenção sensível que restaura o equilíbrio: cada elemento encontra seu destino, sua medida, sua liberdade. Mais do que narrar uma cena, “GAIVOTA” nos convida a refletir sobre os limites da força, o valor da persistência e a sabedoria que existe em cada ajuste do universo.
- 09
NATAL VERMELHO
O poema “NATAL VERMELHO” nos conduz por uma reflexão profunda sobre o tempo, a história e o verdadeiro significado do Natal. Ao percorrer diferentes cenários — de Belém ao Kremlin, da Terra ao Universo —, o texto transcende datas e ideologias, revelando que o espírito natalino vai além de acontecimentos históricos ou sistemas humanos. Mais do que um marco religioso ou político, o Natal surge aqui como uma condição permanente da existência: a possibilidade contínua de paz, renovação e altruísmo. Em contraste, o poema também nos provoca ao expor a limitação humana, que reduz o eterno a uma simples celebração no calendário. “NATAL VERMELHO” é, assim, um convite à consciência: perceber que o verdadeiro Natal não está preso ao tempo, mas vive em cada gesto de humanidade, em cada instante de luz que atravessa o mundo.
- 10
COMPANHIA DE NATAL
O poema “COMPANHIA DE NATAL” nos conduz a uma reflexão íntima sobre presença, ausência e o verdadeiro sentido das celebrações. Em versos simples e repetitivos, o eu poético parece se afastar do mundo — não por rejeição, mas por compreensão. Ao questionar a importância das datas e das presenças humanas, o poema revela uma descoberta silenciosa: há uma companhia maior, constante e suficiente. O Natal, então, deixa de ser apenas um momento no calendário e se transforma em estado de espírito, independente de circunstâncias externas. Mais do que solidão, “COMPANHIA DE NATAL” fala de plenitude — de quem encontra, dentro de si ou no sagrado, uma presença que nunca falta.
- 11
ETERNO SEGREDO
O poema “ETERNO SEGREDO” nos conduz por uma reflexão profunda sobre o tempo e a eterna busca humana por aquilo que jamais se revela por completo. Entre passado, presente e futuro, o texto expõe a ilusão do poder, a fragilidade da consciência e a incapacidade do homem de compreender o essencial. Ao atravessar símbolos como a Pedra, o Éden e o Apocalipse, o poema sugere que o verdadeiro segredo não está no domínio, mas na transcendência — algo que escapa à força, à hipocrisia e até ao esquecimento. Mais do que denunciar, “ETERNO SEGREDO” convida à humildade: perceber que há mistérios que não pertencem ao homem, mas ao eterno.
- 12
MEU PASTOR
O poema “MEU PASTOR” é uma expressão profunda de fé diante das sombras da existência. Em meio ao medo, à dor e à incerteza, o eu poético encontra no divino não apenas consolo, mas direção — uma força que sustenta, guia e resgata. Cada verso revela momentos de fragilidade humana, onde tudo parece se perder, mas também reafirma a presença constante de Deus como abrigo seguro. Seja como arma, saída ou âncora, o Pastor se torna símbolo de proteção e esperança. Mais do que um clamor, “MEU PASTOR” é um testemunho de confiança: a certeza de que, mesmo nos instantes mais escuros, há uma mão que ampara, acalma e conduz.
- 13
ADEUS MAR
O poema “ADEUS MAR” traduz com delicadeza a experiência universal da despedida — esse instante em que o coração se divide entre o desejo de permanecer e a necessidade de partir. Entre o lar e o mar, o eu poético vive um conflito íntimo, onde a saudade já nasce antes mesmo da ausência. As imagens sensoriais — o cheiro do mar, a lágrima que se perde, o olhar voltado para a serra — constroem um cenário de transição, onde emoção e paisagem se confundem. Cada verso carrega essa dualidade: ir ficando, ficar partindo, como se a alma tentasse levar consigo um fragmento do infinito. Mais do que uma despedida, “ADEUS MAR” é um convite à memória e ao retorno — a certeza de que certos lugares não se deixam abandonar, pois permanecem vivos dentro de nós.
- 14
A PALAVRA
O poema “A PALAVRA” é uma expressão profunda de fé, humildade e transformação. Inspirado na tradição espiritual, o eu poético reconhece sua pequenez diante do divino, mas revela que basta uma única Palavra para que tudo se transforme: a morada se amplia, a vida ganha sentido, a dor encontra consolo e a alegria se ilumina. Ao percorrer cenários simbólicos e reais — da interioridade à Bahia, de Salvador à Igreja do Senhor do Bonfim — o poema une espiritualidade e experiência humana em um mesmo caminho de encontro. Mais do que um pedido, “A PALAVRA” é um testemunho: quando o sagrado se manifesta, mesmo o coração mais simples se torna templo.
- 15
SANTÍSSIMO
O poema “SANTÍSSIMO” nos conduz a uma profunda experiência de fé, contemplação e humanidade. A partir da simbólica luz da lâmpada do Santíssimo, o eu poético percorre momentos centrais da espiritualidade cristã — do Calvário à ressurreição, de Pentecostes a Emaús — revelando não apenas a grandeza do divino, mas também a fragilidade humana diante do sagrado. Entre a inveja de quem testemunhou mais de perto o milagre e a ausência sentida na espera da Luz, o poema traduz o anseio de proximidade com Deus. Ainda assim, ao final, permanece a condição humana: seguir adiante, carregando a própria cruz. Mais do que um relato espiritual, “SANTÍSSIMO” é um convite à reflexão sobre fé, presença e caminhada interior.
- 16
DEDO NA TERRA
O poema “DEDO NA TERRA” nos conduz a uma das cenas mais enigmáticas do Evangelho: o instante em que Cristo escreve no chão diante da mulher adúltera. A partir desse gesto silencioso, o texto mergulha em uma profunda reflexão sobre o mistério divino e os limites da compreensão humana. Entre hipóteses — leis, símbolos, números ou palavras de perdão — o eu poético revela mais perguntas do que respostas, convidando o leitor a habitar esse espaço de dúvida e contemplação. O que importa, talvez, não seja o que foi escrito, mas o significado do próprio gesto: um ato que transcende a lógica e aponta para uma verdade que não se deixa aprisionar em palavras. Mais do que buscar respostas, “DEDO NA TERRA” é um convite à humildade diante do sagrado — à aceitação de que há mistérios que não se explicam, apenas se vivem.
- 17
ABUTRE
O poema “ABUTRE” nos conduz a uma reflexão inquietante sobre o olhar que escolhemos lançar sobre o mundo. A figura do abutre, sempre atento, paciente e persistente, simboliza aquele que busca — mas cuja busca é guiada por uma inclinação sombria. Ao percorrer vales, montes, matas e mares, há beleza por toda parte, mas algo o impede de vê-la. Ofuscado, ele se volta inevitavelmente para aquilo que é fruto da morte, do erro e da injustiça. Sua escolha revela uma verdade profunda: muitas vezes, não é o mundo que é escuro, mas o olhar que insiste em encontrar apenas a carniça. Mais do que descrever um animal, “ABUTRE” nos provoca a refletir sobre nossas próprias escolhas — sobre o que buscamos, o que valorizamos e, sobretudo, sobre aquilo que decidimos enxergar.
- 18
TALIDOMIDA
O poema “TALIDOMIDA” nos apresenta uma poderosa metáfora sobre a degradação da Terra e as consequências das ações humanas. Ao associar o planeta à figura de uma mãe que sofre, o texto transforma a crise ambiental em uma dor íntima, quase corporal. As imagens são fortes e inquietantes: florestas destruídas, mares poluídos, ar comprometido e um solo que já não gera vida. A Terra, antes promessa de fertilidade e abundância, torna-se um corpo ferido — marcado por doenças, incapaz de renovar-se. Ao evocar a talidomida, símbolo histórico de deformação e tragédia, o poema intensifica sua denúncia: a própria humanidade parece ter envenenado a origem da vida. Mais do que um alerta ecológico, “TALIDOMIDA” é um chamado à consciência — um convite urgente para repensarmos nosso papel diante do futuro do planeta.
- 19
ILHADO
O poema “ILHADO” nos conduz a uma reflexão inquietante sobre a solidão moderna e a dependência que criamos das estruturas que deveriam nos servir. Em meio ao cenário urbano do século vinte, o eu poético se vê aprisionado não por muros visíveis, mas pela ausência de movimento — pela perda do direito de ir e vir. A imobilidade física transforma-se em crise existencial: sem ir nem voltar, o ser parece perder também sua própria identidade. A máquina, antes símbolo de progresso, torna-se instrumento de aprisionamento, revelando uma condição quase mecânica da vida contemporânea. Mais do que um relato de circunstância, “ILHADO” é um convite à reflexão sobre nossa relação com a liberdade, o tempo e a tecnologia — e sobre o quanto dependemos de meios externos para simplesmente existir.
- 20
PÉ DE MEIA
O poema “PÉ DE MEIA” nos conduz a uma reflexão instigante e bem-humorada sobre a própria construção poética. Em um jogo inteligente de questionamentos, o eu poético percorre elementos técnicos da linguagem — som, ritmo, figuras de estilo — como se buscasse, entre eles, a origem de um incômodo sutil. Entre a erudição e a ironia, o poema revela que nem sempre a insatisfação com um texto está em sua estrutura formal, mas talvez em algo mais simples, quase sensorial, como o “cheiro de meia” que invade a métrica e quebra a harmonia esperada. Há, assim, um contraste delicado entre o rigor da técnica e a irreverência da percepção. Mais do que uma análise poética, “PÉ DE MEIA” é um convite ao olhar crítico — e também leve — sobre a arte de escrever, lembrando que a poesia vive tanto da forma quanto do inesperado.
- 21
OLHO DE PERDIZ
O poema “OLHO-DE-PERDIZ” nos conduz por uma reflexão sensível e atual sobre a busca humana por enxergar cada vez mais. Entre lentes, instrumentos e avanços tecnológicos, o eu poético percorre um universo de ampliação da visão exterior — preciso, sofisticado e quase ilimitado. No entanto, ao final, o poema revela um contraste essencial: por mais que a ciência amplie o olhar para o mundo, há uma dimensão que escapa a qualquer tecnologia — a visão interior. É nesse ponto que surge o “olho-de-perdiz”, símbolo de uma percepção mais íntima, profunda e verdadeira. Mais do que exaltar o progresso, “OLHO-DE-PERDIZ” nos convida a refletir sobre o equilíbrio entre ver o mundo e compreender a si mesmo, lembrando que nem tudo o que importa pode ser ampliado por lentes — mas sim sentido pela alma.
- 22
BURACO NEGRO
O poema “BURACO NEGRO” nos conduz por uma metáfora brilhante que une o universo da ciência ao fervor das emoções humanas. Ao evocar o espaço-tempo, o vórtice e a força de atração, o eu poético constrói uma imagem cósmica que, pouco a pouco, se revela surpreendentemente próxima do cotidiano. Em um movimento envolvente, o que parecia fenômeno astronômico transforma-se em cena viva — a multidão, o impacto, a tensão crescente — até culminar na explosão de alegria de um gol. A gravidade aqui não é física, mas emocional: uma força irresistível que atrai e envolve a todos. Mais do que uma analogia criativa, “BURACO NEGRO” celebra a intensidade dos instantes simples, mostrando que, mesmo na brincadeira, há momentos capazes de nos absorver completamente — como verdadeiros fenômenos do universo.
- 23
INSEGURANÇA
O poema “INSEGURANÇA” nos conduz por um território intenso e delicado da existência humana — aquele em que corpo e alma se encontram expostos, como no fio de uma navalha. Em imagens fortes e simbólicas, o texto revela a inquietação do ser diante do desconhecido, evocando referências que transitam entre o mítico, o espiritual e o histórico. Entre a urgência do instinto e a busca por sentido, o poema nos coloca diante de escolhas, riscos e da aparente ausência de solução. No entanto, em meio à desesperança, surge uma possibilidade transformadora: a certeza de que há um movimento interior capaz de ressignificar o real. Mais do que retratar a insegurança, o poema aponta um caminho — um retorno ao essencial, onde o homem reencontra a Luz, a Vida e o Amor, transcendendo as dualidades e aproximando-se de uma dimensão mais elevada da existência.
- 24
LESMA
O poema “LESMA” nos conduz a uma reflexão sensível e profunda sobre a experiência do tempo quando atravessado pela saudade. Em imagens marcantes, o tempo deixa de ser linear e passa a se arrastar, hesitar e até estagnar, revelando o peso emocional da ausência. A metáfora da lesma traduz com precisão essa lentidão viscosa e insistente, enquanto referências como a Sapucaí e o carnaval contrastam movimento e imobilidade — como se a vida lá fora seguisse em ritmo intenso, enquanto o interior permanece preso ao vazio. Mais do que falar da distância, o poema expõe o turbilhão do pensamento que insiste em ir e voltar, transformando o isolamento em um espaço de inquietação. “LESMA” é, assim, um retrato poético da saudade que dilata o tempo e nos obriga a sentir, com profundidade, cada instante que não passa.
- 25
ALELUIA
O poema “ALELUIA” nos conduz a uma experiência sensível onde o cotidiano e o sagrado se entrelaçam com delicadeza. A figura do bem-te-vi, atento e presente, torna-se testemunha silenciosa dos movimentos do eu poético — suas memórias, saudades e contemplações. Entre a natureza e o tempo litúrgico, o poema percorre a Sexta-feira e a Páscoa, revelando não apenas a espera e a ausência, mas também a descoberta interior de uma fé viva. O que o olhar externo não alcança, o coração revela: a presença do Cristo que permanece. Mais do que um registro de momentos, “ALELUIA” é um cântico de esperança — a certeza de que, mesmo nas ausências e incertezas, a vida se renova e o divino permanece vivo dentro de nós.
- 26
DEZ ANOS
O poema “DEZ ANOS” nos conduz a uma reflexão profunda sobre o tempo dedicado, os sonhos cultivados e os sacrifícios silenciosos de uma vida entregue à educação. Ao evocar figuras como Jacó e Dom Quixote, o eu poético revela a dualidade entre dever e idealismo — entre servir e sonhar — muitas vezes à custa da própria felicidade. Ao longo dos versos, emerge a imagem de um educador que, em sua entrega total, vê a própria vida escorrer entre responsabilidades, frustrações e a ausência de reconhecimento. O espelho torna-se símbolo desse confronto interior: quem se vê já não é apenas o sonhador, mas também alguém marcado pelo peso do tempo. Mais do que um balanço de uma década, “DEZ ANOS” é um testemunho sensível sobre a condição de quem dedica a vida ao outro — e, ao final, se pergunta o que restou para si. Um poema que toca, questiona e convida à reflexão sobre propósito, valor e existência.
- 27
SINFONIA
O poema “SINFONIA” nos conduz por uma viagem sensorial e espiritual onde a respiração se transforma em arte. A cada verso, o eu poético inspira e expira não apenas o ar, mas também música, emoção e existência — transitando entre o erudito e o popular, o humano e o divino. De Mozart a Gonzaga, do suor ao êxtase, o poema revela a vida como uma grande composição, feita de contrastes, intensidades e harmonias. Cada estado — consciente ou não, poético ou infernal — contribui para essa sinfonia cósmica que ecoa dentro do ser. Mais do que um jogo de palavras, “SINFONIA” é uma celebração da própria condição humana: respirar, sentir e transformar tudo em música — até alcançar a alegria plena da iluminação.
- 28
RIBEIRÃO PRATES
O poema “RIBEIRÃO PRATES” é uma delicada e profunda homenagem a Prisco da Cruz Prates, figura marcante da memória cultural de Ribeirão Preto e antecessor do autor deste poema, na Cadeira nº 8 da Academia de Letras e Artes de Ribeirão Preto. Em versos carregados de evocação histórica, o poema percorre ruas, personagens e cenários que ajudaram a construir a identidade da cidade, entre cafés, circos, jornais e figuras populares que habitam a memória coletiva. Mais do que resgatar nomes e acontecimentos, o texto recria atmosferas — dando vida a um passado que ainda pulsa no presente. Entre lembranças, sons e imagens, o poeta nos convida a revisitar uma Ribeirão de outrora, onde história e emoção caminham lado a lado. “RIBEIRÃO PRATES” é, assim, um tributo à memória, à cultura e à permanência daqueles que, mesmo ausentes, continuam a escrever a história.
- 29
PERDA E POSSE
O poema “PERDA E POSSE” nos conduz a uma profunda experiência de transformação, marcada por símbolos, rituais e sentimentos que atravessam a juventude e a construção do ser. Entre despedidas e novos começos, o eu poético revela a intensidade de um momento iniciático, onde deixar de ser algo é condição para tornar-se outro. Ao evocar tradições, valores e a busca pela perfeição, o texto expõe a dualidade entre emoção e responsabilidade, entusiasmo e consciência. Há beleza no ritual, mas também a dor da mudança — elemento necessário para o crescimento interior. Mais do que narrar uma cerimônia, “PERDA E POSSE” é um convite à reflexão sobre legado, liderança e continuidade. Ao final, permanece a esperança: a certeza de que os ideais vividos não se perdem, mas renascem nas novas gerações.
- 30
PRANCHA
O poema “PRANCHA” nos conduz a uma delicada metáfora entre amor, liberdade e sintonia. Ao transformar a relação entre surfista e prancha em um encontro quase afetivo, o texto revela um vínculo de confiança, equilíbrio e cumplicidade. Entre ondas e movimentos, a prancha deixa de ser objeto e ganha vida — torna-se companheira, parceira de dança sobre o mar. Há beleza na condução, mas também na entrega: uma liberdade que, paradoxalmente, nasce da conexão entre ambos. Mais do que descrever o surf, “PRANCHA” celebra a harmonia perfeita entre ser humano e natureza — um instante em que técnica, sensibilidade e emoção se unem, transformando o mar em poesia viva.
- 31
TRIÂNGULO
O poema “TRIÂNGULO”, escrevi quando Irmã Dulce e o Papa João Paulo II, se encontraram em Salvador, Bahia, diante de Cristo crucificado, nos conduz a uma atmosfera de profunda espiritualidade, onde olhares, luzes e símbolos se entrelaçam em uma experiência quase sagrada. A partir da imagem do Pai, da Mãe e do Filho, o texto constrói uma geometria simbólica que ultrapassa o humano e toca o divino. As luzes que se cruzam revelam não apenas presença, mas comunhão — um encontro entre Céu e Terra que envolve Dulce e Paulo em um campo de mistério e transcendência. Nesse cenário, o “Olho-que-tudo-vê” não observa com distância, mas se emociona, como se a própria eternidade reconhecesse a beleza desse instante. Mais do que uma composição poética, “TRIÂNGULO” é um convite à contemplação: um encontro entre fé, amor e mistério que ilumina a alma e revela a delicadeza do invisível.
- 32
FLUXO E REFLUXO
O poema “FLUXO E REFLUXO” nos conduz por uma delicada reflexão sobre a natureza instável dos sentimentos, especialmente do amor. A partir da imagem das ondas que avançam e recuam na areia, o texto constrói uma metáfora precisa da oscilação emocional — ora envolvente e sedutora, ora ilusória e passageira. Entre o real e o aparente, o eu poético revela como certos momentos, embora intensos e concretos, podem carregar em si a semente do engano. O flerte, a expectativa e o encantamento surgem como marés que prometem permanência, mas que, inevitavelmente, se desfazem no tempo. Mais do que descrever um movimento da natureza, “FLUXO E REFLUXO” é um convite à introspecção: um olhar sensível sobre os ciclos do desejo, da ilusão e da desilusão, onde o amor, como o mar, encanta, envolve e, por vezes, nos deixa apenas com o eco ardente do que já foi.
- 33
COMBATE REAL
O poema “COMBATE REAL” nos conduz a uma narrativa simbólica onde guerra e ideal se entrelaçam em um mesmo cenário. Sob o brilho das estrelas e entre armas e bandeiras, o texto evoca não apenas um confronto material, mas, sobretudo, uma batalha interior e espiritual — aquela que se trava em nome de valores maiores. A atmosfera construída é intensa e ritualística: sons, cores e movimentos compõem um quadro que remete à disciplina, à união e ao propósito. Os “guerreiros da Arte Real” não lutam apenas por vitória, mas pela construção de um caminho orientado por princípios elevados. Mais do que um relato de combate, “COMBATE REAL” é um convite à reflexão sobre os verdadeiros embates da vida: aqueles que exigem coragem, consciência e fidelidade a ideais como liberdade, igualdade e fraternidade — valores que, mais do que desejados, precisam ser continuamente conquistados.
- 34
ECOS DE FRANCISCO
O poema “ECOS DE FRANCISCO” nos conduz a uma experiência sensível e espiritual que atravessa toda a criação. Em uma sequência harmoniosa de imagens — animais, plantas, elementos e sentimentos — o texto revela a profunda conexão entre o ser humano e a natureza, como um reflexo do sagrado presente em tudo. Inspirado pela essência de São Francisco, o poema convida a perceber o mundo com outros sentidos: olhar, tocar, iluminar e lavar tornam-se gestos de contemplação e encontro. Cada elemento, do simples ao grandioso, participa de uma mesma sinfonia cósmica, onde vida e espiritualidade se entrelaçam. Mais do que descrever a natureza, “ECOS DE FRANCISCO” é um chamado à consciência e à sensibilidade — um convite a reconhecer, em cada detalhe do mundo, a presença do divino que se manifesta silenciosamente em todas as coisas.
- 35
MALHETE
O poema “MALHETE” nos conduz a uma atmosfera de profunda simbologia e elevação espiritual, onde cada palavra ecoa valores universais como liberdade, igualdade e fraternidade. Inspirado por elementos tradicionais e iniciáticos, o texto revela o malhete não apenas como instrumento, mas como símbolo de construção interior e transformação do ser. Entre referências que atravessam o sagrado e o humano — de Tubalcain a Salomão — o poema evoca a jornada do aprendizado, na qual o indivíduo lapida a si mesmo, eliminando as asperezas da ignorância e buscando a luz da sabedoria. Há, em cada verso, um chamado à disciplina, ao silêncio e ao respeito, fundamentos de toda verdadeira evolução. Mais do que uma composição poética, “MALHETE” é um convite à edificação interior — um caminho de união, consciência e transcendência, onde cada ser se torna, pouco a pouco, construtor de sua própria obra.
- 36
AMARGO DESPERTAR
O poema “AMARGO DESPERTAR” nos conduz a um contraste intenso entre a celebração e a inquietação. Enquanto o mundo festeja a chegada de um novo ano, o eu poético desperta para uma realidade marcada por angústia, incerteza e presságios sombrios. O que deveria ser renascimento transforma-se em um instante de tensão, onde o futuro parece ameaçado. Entre ecos históricos e referências a conflitos, o poema revela um olhar sensível e crítico sobre a humanidade — como se cada novo começo carregasse, também, o peso de seus próprios riscos. A explosão dos fogos mistura-se ao estalo da consciência, e o grito contido traduz um despertar doloroso diante do mundo. Mais do que um registro de época, “AMARGO DESPERTAR” é um convite à reflexão: até que ponto celebramos o tempo sem encarar suas verdades? Um poema que inquieta, provoca e nos chama a despertar — não apenas para o dia que nasce, mas para a realidade que insistimos em não ver.
- 37
GRÃO APRENDIZ
O poema “GRÃO-APRENDIZ” nos conduz a uma jornada de humildade, silêncio e descoberta interior. Ao valorizar a condição de aprendiz, o eu poético revela a beleza de quem ainda observa mais do que fala, sente mais do que afirma e caminha com respeito diante do desconhecido. Entre símbolos e referências que evocam tradição, espiritualidade e construção do ser, o poema apresenta o aprendizado como um caminho sagrado — onde cada gesto, cada silêncio e cada imagem construída entre colunas representam etapas de uma transformação profunda. Mais do que exaltar o saber, “GRÃO-APRENDIZ” celebra o não saber como ponto de partida: um convite à escuta, à disciplina e à fraternidade. Um poema que nos lembra que é na simplicidade do aprender que reside a verdadeira sabedoria.
- 38
APAGAR
O poema “APAGAR” nos conduz a um dos momentos mais delicados da vida de um educador: o instante da despedida. Entre o apagar do quadro e o silêncio do corredor, o eu poético revela a dor contida de quem dedicou anos à formação de outros e agora se vê diante do fim de um ciclo. Em imagens sensíveis e profundamente humanas, o poema percorre gestos simples — largar o giz, retirar o jaleco, fechar o livro — transformando-os em símbolos de uma trajetória marcada por entrega, repetição e amor ao magistério. Cada detalhe carrega o peso do tempo e a intensidade de uma vida vivida para ensinar. Mais do que um adeus, “APAGAR” é uma homenagem silenciosa a todos que fizeram da sala de aula seu palco e sua missão. Um poema que emociona ao revelar que encerrar um magistério é, de certo modo, apagar uma luz — mas jamais as marcas deixadas no coração de quem aprendeu.
- 39
LADAINHA
O poema “LADAINHA” nos conduz a um delicado ritual cotidiano, onde a vida escolar desperta lentamente entre sombras e primeiras luzes. Das imagens silenciosas da madrugada — corujas, morcegos e mistérios — até o pulsar vibrante da manhã, o texto revela a transição do mundo íntimo para o coletivo. Entre gestos simples e profundamente simbólicos — o jardineiro, o porteiro, o primeiro aluno — constrói-se uma liturgia diária que se repete ao longo das décadas, como uma verdadeira ladainha da educação. Sob a sombra das mangueiras e ao som dos “bons dias”, a escola se apresenta como espaço de encontro, comunhão e formação. Mais do que retratar uma rotina, “LADAINHA” é uma homenagem sensível à vida que nasce todos os dias no ambiente escolar — um despertar discreto, mas cheio de esperança, movimento e significado.
- 40
EXTREMA MENTE
O poema “EXTREMA MENTE” nos conduz por uma experiência intensa que oscila entre o fascínio e o medo, o humano e o divino. A partir da metáfora do voo, o eu poético atravessa diferentes estados de consciência — da contemplação serena da noite estrelada à angústia da turbulência, revelando a fragilidade da vida diante do desconhecido. Entre o concreto e o transcendental, o avião torna-se mais do que máquina: transforma-se em símbolo da própria mente em seus extremos — capaz de alcançar o sublime e, ao mesmo tempo, confrontar o abismo. Ao sobrevoar o Rio e sentir a presença do Redentor, o poema toca o sagrado, sugerindo que, mesmo em meio ao medo, há uma força que acolhe e sustenta.